B Fachada

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B Fachada ao vivo

B Fachada é o nome artístico de Bernardo Cruz Fachada (Lisboa, 1984), é um cantor / autor e multi-instrumentista português.

Colaborou com Tiago Pereira no documentário Tradição Oral Contemporânea (2008). Em 2009 alcança algum protagonismo com os discos Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado e B Fachada.

B Fachada fez parte do grupo Diabo na Cruz, de onde saiu após as gravações do disco Roque Popular

Em 2010 lança Há Festa Na Moradia na internet e em edição em vinil. No final do ano edita o álbum B Fachada É Pra Meninos a ter grande destaque na imprensa portuguesa. Actua em diversas salas e festivais como no CCB, no Optimus Alive 2012, no Festival para Gente Sentada em 2011, no Super Bock Super Rock 2011 no Meco no palco EDP , ou no Super Bock em Stock 2010.

Atualmente, disponibiliza todos os seus discos (que na maioria dos casos estão esgotados) para download e venda diretos no Bandcamp : http://bfachada.bandcamp.com/.

Fonte: wikipedia

Fachada @ NOS D’Bandada 2014 | Porto, Ateneu Comercial, 13.09.2014

Publicado a 16/09/2014
Fachada @ NOS D’Bandada 2014 | Porto, Ateneu Comercial, 13.09.2014

B Fachada – Contramão


Video Carregado a 20/03/2011
Apresentação/lançamento do primeiro disco de B(fachada) que tem o feliz título de Um fim-de-semana no Pónei Dourado no MAXIME.

“Princesa pop, palhaço pirómano, petrarquista pirata, perfeccionista patife, porfiado e prolixo poeta – tudo adjectivos começadas por “b”.
B Fachada é um multi-instrumentista virtuoso: do piano à guitarra, passando pela viola braguesa e pelo trompete vocal. Do soneto maldito ao cianeto alexandrino, passando pela grandiloquência transmontana e pela rusticidade jazzística de um scat: é multi-instrumentista virtuoso este B Fachada.
Certificadamente hiperactivo no que toca à produção, Fachada não só tem em mente fazer vários discos por ano como tem, na sua discografia, as provas de que é capaz. O seu primeiro trabalho pela FlorCaveira, o EP “Viola Braguesa”, é uma pequena colectânea de maravilhas que deixou a crítica a salivar pela primeira consoante do alfabeto. Segue-se o “Fim de Semana no Pónei Dourado”, um longa-duração, uma Magnum Opus; um disco simultaneamente terno e maldito, afago e soco, Dulcineia e Lorena Bobbit .
Literato até quando cospe, o cascalense Fachada faz canções para todos os desgostos, humor ponta-e-mola para todos os buchos. Que seja este pónei dourado a, finalmente, limpar a Baía de Cascais das suas carcaças de golfinho.
A sorte sorri aos audazes, a perfeição sorri aos certificadamente hiperactivos.”

B Fachada

TÓ ZÉ – B Fachada

Video Publicado por Antena3 a 11/01/2013
Planeta Música, o programa de referência na televisão portuguesa para todos os amantes de música pop/rock

NÃO PRATICO HABILIDADES – B Fachada

ESTÁ NA HORA DA PASSA – B Fachada

Publicado a 11/01/2013
Planeta Música, o programa de referência na televisão portuguesa para todos os amantes de música pop/rock

B Fachada | FNAC Chiado 02.09.2012

Publicado a 07/08/2013
B Fachada na FNAC | 02.09.12

B Fachada – Kit de Prestidigitação

B Fachada ao vivo no Auditório do Montepio a 14 de Janeiro de 2010

B Fachada – Kit de Prestidigitação live @ Parque dos Poetas (2010)

Carregado a 25/02/2010
B Fachada ao vivo no Parque dos Poetas

B FACHADA @ B.LEZA, LISBON

Publicado a 21/12/2012
He says he doesn’t like to do concerts. Or didn’t he? Well, in B.Leza, Lisbon, where last night he was saying “farewell” — or “see you in a year or so” — B Fachada was really spoiled by the crowd that went to see one off his final shows for a very long time. At least, that’s what he says.
In five years, Fachada recorded fourteen records, in a very peculiar DIY style, all of them in specific genres but also with a lot of Portuguese feeling. Bernardo (aka B) says, in the song ‘Deus, Pátria e Família’, “I’m not Portuguese, and fuck Portugal. I sing in ‘fachadez/my mother language”. But in the last four years he helped the Portuguese audience (and B.Leza was really packed!) to realize there are Portuguese artists creating without complex and free spirit minded. Yes, he is Portuguese, and he must be proud of it: he ended his performance singing ‘Cabelo branco é saudade’, from fado singer Alfredo Marceneiro, with his Braguesa guitar on his lap. Want something more Portuguese than that? Bring him a bottle of wine and a typical Portuguese Serra cheese. BM

B Fachada em casa de Adélia Garcia canta a Mariana enquanto o Manel mata as moscas!

Carregado a 18/01/2012
b fachada, balada à mariana, viola braguesa [ep] (2008)

Caçarelhos – Novembro 2008

FACHADA em entrevista ao OFFBEATZ

Publicado a 21/11/2014
O B passou pela nossa redacção e falou do seu novo trabalho, da música portuguesa, do ano de pausa e mais.

imagem Francisca Sousa
edição Junior Lins
entrevista Sara Ribeiro
música B FACHADA

Esta dança é muito séria (Noticia Publico)

Foi-se a sabática, vieram concertos e chega agora o disco. Foi editado online esta semana (está no bandcamp), tem por título B Fachada e é o álbum de Verão pós sabática.

É, acima de tudo, sequência e passo em frente depois de Criôlo, editado há dois anos. B Fachada em modo soundsystem, a africanizar chulas e marchas com guitarra picada samplada, sintetizadores esvoaçantes (e viva o prog-funaná!) e citações abundantes via sample: a flauta de Coro da Primavera, de José Afonso, como motivo de Pifarinho ou o ritmo de marcha de Leitaria Garrett, de Vitorino, a apresentar-se em Dá mais música à bófia – sendo que cada uma das citações é, acima de tudo, motivo inspirador, um tiro de partida que acaba diluído, transformado, pela música que o rodeia. Não por acaso, o álbum termina com Já o tempo se habitua, de José Afonso, com o espírito original intocado (os versos não permitiram que fosse de outra forma), mas totalmente transposto para este universo musical criado por Fachada.

Álbum de uma vivacidade inescapável e de uma lírica quase táctil (abundam corpos e petiscos, há buços de vinho e barrigas iluminadas por fogueiras), B Fachada mostra que o magnífico Criôlo não foi álbum à parte. Digamos que o regressado B Fachada é o novo Fachada que se recolhera em 2012. Alguém que viaja pela tradição musical lusófona, com vistas largas, como o fez Fausto, mas embrenhado nas possibilidades abertas pelo mundo pop pós Person Pitch. Alguém que alia a cadência física do ritmo (as canções prolongam-se por cinco, seis minutos, para prazer de quem dança) ao poder cáustico das palavras. O Camuflado parte da autobiografia para chegar ao país que não sabe o que fazer da memória da guerra colonial, Dá mais música à bófia atira-se às vozes que se erguem e aos que as calam (“a polícia fica louca / quando a canção cabe na boca” e sai “mais um tirinho para a memória”), o ritmo quebrado de Crus é festim escaldante (e lá dançamos com “liberdades no bolso/algemas na mão”) e a magnífica Pifarinho é delírio surrealista a psicadelizar noite fora (“Ich bin ein poltergeist!”).

A invenção musical veste capa lúdica e o Verão fica-lhe bem. As palavras de José Afonso servem a despedida do regresso: “nem toda/a força do pano/todo o ano/ Quebra a proa/do mais forte/nem a morte”. B Fachada é um disco muito sério. Ouçamo-lo. Dancemo-lo.

Fonte Publico – MÁRIO LOPES 01/08/2014

B Fachada: Música para fazer meninos (Noticia Expresso)

É pròs papás de agora. É pròs papás de amanhã. Também é pra meninos e meninas. B Fachada criou um disco de incentivo à desobediência infanto-juvenil.

ítulo deste artigo pode parecer enganador. Mas não é. É verdade que o novo disco de B Fachada (a que este texto se refere) não é uma coleção de baladas para ouvir à lareira, numa noite de inverno, com o seu par. Mas é um conjunto de canções que o músico criou na expectativa de que os ouvintes possam desejar constituir família.

Esta é uma parte da história. Porque a outra, a não esquecer, é que o disco se destina a ‘formar’ ouvidos infanto-juvenis. Pelo menos uma parte dos miúdos, cujos pais não tenham medo de B Fachada e das suas letras “imorais”.

“B Fachada É pra Meninos” – o segundo disco deste ano, depois do EP “Há Festa na Moradia” – não vem com um selo “Parental Advisory” nem dá voz a palavrões. Tem antes uma assumida e explícita perversão; e é um claro manifesto a favor da desobediência e da deseducação.

B Fachada reflete e diz: “80 por cento da cultura que as crianças e jovens consomem é para adultos. Os outros 20 por cento que lhes restam estão ao nível do politicamente correto insultuoso.”

CRESCER A OUVIR TOQUINHO
De qualquer modo, e é ele mesmo que o sublinha, não foi assim há tanto tempo que saiu desse mundo cheio de regras tão propício a ignorar avisos parentais. Nasceu em 1984 e cresceu a ouvir Toquinho e outros cantores brasileiros.

Para arranjar inspiração, o músico só precisou de andar para trás pouco mais de dez anos. Juntar todas as influências musicais, remisturar a ironia com a rebeldia. Olhar para a sua sobrinha de 2 anos ou para a sua irmã de 15: “São os dois polos do disco, a primeira está no limite mínimo do disco, a segunda no limite máximo.”

E polvilhar o assunto com um certo descontentamento adulto: “A culpa do estado do mundo é sempre colocada nas gerações mais novas e, na verdade, o mundo foi estragado por sucessivas gerações muito bem educadas. Gostava que pudéssemos responder pelos nossos próprios erros e não, como nos andam a ameaçar, pelos erros dos nossos pais.”

UM DISCO PARA ‘DES-CASTRAR’
O resultado é um disco para ‘des-castrar’. Para trabalhar junto das crianças e adolescentes no sentido contrário da castração e da defesa das regras de boa educação.

“B Fachada É pra Meninos” (Mbari) incentiva de forma obstinada à rebelião. Pega no clássico ‘Joana Come a Papa’ e vira a ideia do avesso: “Larga a sopa João/ não comas mais/ não dês ouvidos às mentiras dos teus pais.”

Questiona o que é bom e o que é mau; desfaz o medo do Pai Natal; pergunta porque é que é certo ser cara de pau e está mal ser filho da mãe; lembra que pode ser bem mais giro “brincar/ fugir e desaparecer/ esquecer a escola e o dever/ fazer as coisas por prazer”, que mais vale ser “louco e malcriado que pensar só de emprestado”, que toda a vida “te vão dar o mundo mastigado” e que é preciso começar “a praticar a desobediência para não ficar moralizado”.

“B Fachada É pra Meninos” defende uma infância independente do mundo que ela herda e da moral que ela veicula. Um crescimento livre de princípios absolutos, das tiranias de Camões ou Gil Vicente, ou das conquistas dos Descobrimentos.

NO PAÍS EM QUE ESTÁ TUDO POR FAZER
Num país no qual acredita “estar tudo para fazer”, o músico assume-se como um criador arrogante na carreira, mas humilde nas canções: “Qualquer ideia que tenha é boa, e é nova. Então é só uma questão de ordenar as ideias de uma forma coerente.”

Quando pensou em fazer um disco para crianças (algo que planeou há cerca de dois anos) – apanhado pelo embalo do nascimento da sobrinha -, B Fachada apercebeu-se que o último disco para crianças feito por músicos nacionais que ele considerava interessante datava de 1989 (“Os Amigos do Gaspar”, de Sérgio Godinho) e que não havia música para crianças criada por pessoas que não fossem pais, como é o caso dele.

Mesmo considerando “Os Amigos do Gaspar” um disco interessante, B Fachada acredita que é complicado pôr as crianças de agora a ouvi-lo: “O som não é fácil.” E é por isso que o desafio dele não passa apenas por essa necessidade urgente de elaborar um manifesto anticastração mas também por criar uma música e uma letra que fossem de hoje e que chegassem aos ouvidos das crianças dos nossos dias.

De resto, B Fachada tinha-se apercebido de que as crianças gostavam da música dele e de que a sua geração estava a mudar de atitude no que diz respeito ao assunto ‘filhos’: “Em países desenvolvidos, não faz sentido as pessoas esperarem pelos 35 anos para terem filhos. Andámos muito tempo a ter filhos muito tarde.”

DISCO PARA PAIS E FILHOS
O disco, que neste contexto é para pais e filhos, tem um som mais cru do que os seus anteriores e muito menos camadas sonoras. Recorre a instrumentos musicais infantis: xilofones, pianinhos e baterias de criança. Francisca Cortesão – com quem partilhou campos de férias no verão – é uma das “cantoras narradoras” de uma das canções, e Lula Pena aparece como convidada num tema que B Fachada compôs a pensar nela – depois de ter ouvido o seu último disco.

Apesar de todas as convicções – e de uma autoconfiança que o faz anunciar que sabe bem o que vai fazer nos próximos três anos -, B Fachada também vacila. Tem medo que tenham medo dele.

“Dizem-me: ‘As crianças interiorizam tudo.’ E eu não sei o que responder a essas pessoas. Vejo os pais a gritarem: ‘Não corras!’ E elas continuam a correr. Porque é que uma criança não há de perceber que a cultura é sempre ficção? Parece-me preferível explicar às crianças que a cultura é uma mentira do que lhes fazer crer que há umas verdades que são melhores que outras.”

B Fachada

Mbari

Dar música aos infantes sem ter de atirar o pau ao gato não é tarefa simples. E até pode gerar pequenos equívocos, como o que surgiu à volta de ‘Puff, the Magic Dragon’, durante décadas – por mais que o seu autor, Peter Yarrow, jurasse que esse sucesso de Peter, Paul & Mary era absolutamente inocente e nada tinha a ver com o tipo de inalações que Bill Clinton também negou veementemente -, encarada como uma drug song encapotada.

Mas não é difícil entender-se que as melhores canções para miúdos são aquelas que, quando escutadas por gente mais crescida, contêm matéria suficientemente interessante para lubrificar dois ou três circuitos cerebrais.

Nos últimos anos, houve, pelo menos, dois ótimos exemplos: “The Tragic Treasury”, de Stephin Merritt/ versão-Gothic Archies (2006), um conjunto de “histórias de terror para crianças”, repleto de educativos ensinamentos políticos (“Be vicious, vain and vile, everything’s yours to steal if you’ll just smile”), e “Leave Your Sleep”, de Natalie Merchant (2010), coleção de poemas musicados submetida ao lema “Girls and boys, come out to play, (…) leave you supper and leave your sleep, and come with your playfellows into the street”.

“B Fachada É Pra Meninos” sintoniza a mesma onda e, em registo de Comelade-Playmobil (com baterias de plástico e tudo) que, só aparentemente, se desvia dos álbuns anteriores, alinha interpelações morais (“Porque é que o bom é melhor que o mau? Porque é que o mal é pior que o bem? Porque é que é certo ser cara de pau mas está mal ser filho da mãe?”), miminhos de avô sábio (“antes louco e malcriado que pensar só de emprestado”) e faz regressar o mítico João, sem balão, mas com mais pertinente aconselhamento: “Larga a sopa João, não comas mais, não dês ouvidos às mentiras dos teus pais.”

João Lisboa

Texto publicado na revista Atual de 18 de dezembro de 2010

Fonte Expresso em 27.12.2010

Album BFachada no Bandcamp

B Fachada
Escrito e tocado por B Fachada. produzido por b fachada e eduardo vinhas. gravado, misturado e masterizado no golden pony por eduardo vinhas e b fachada mais a ajuda do amigo sushi. joão santos e pedro magalhães visitam-nos com regularidade com ouvidos frescos e generosidade de ideias. a cafetra respondeu aos caprichos do tio b com alegria e por duas vezes enviou comitiva em seu auxílio. de uma dessas vezes foram obrigados a bater palmas ao longo de uma canção inteira: viram o mestre dudu a fazer a sua magia e ouviram as cantigas do tio como se não houvesse mais nada para fazer. ao norberto roubei-lhe o nome para um verso e quatro ou cinco acordes para começar uma canção: o empréstimo é de coração aberto e a dívida será a seu tempo bem saldada. aos poucos vamos entrando no novembro de 2011 e a chuva, já sabemos, vem dizer que é hora de fechar o disco.

in: bandcamp

B Fachada no Blitz

B Fachada, Tó Trips e Éme na Aula Magna

Espectáculo “A Nova Música da Velha Europa” acontece esta sexta-feira.

B Fachada (na foto), Tó Trips e Éme atuarão esta sexta-feira na Aula Magna, inseridos num espetáculo intitulado “A Nova Música da Velha Europa”, organizado pelo Instituto Europeu e pelo Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal como forma de celebrar o Dia da Europa.

Os concertos terão início às 21h00, estando ainda marcada uma atuação do Coro Juvenil da Universidade de Lisboa. A entrada é gratuita.

Este será o primeiro concerto de B Fachada em Lisboa no ano corrente, sendo que Tó Trips irá certamente apresentar as canções do recente Guitarra Makaka , ao passo que Éme regressará uma vez mais a Último Siso , editado em 2014.

B Fachada é um cantor, multi-instrumentista e compositor português. Em 2007 editou o seu primeiro EP, “Até Toboso”, através da netlabel Merzbau. Em 2008 editou dois EPs – “Mini CD (Produzido por Walter Benjamin)” e ” Sings the Lusitanian Blues” – pela Merzbau e um EP, “Viola Braguesa”, pela FlorCaveira. Em Maio de 2009 editou o seu primeiro álbum, “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado” (FlorCaveira), e em Dezembro de 2009 editou o seu segundo álbum, “B Fachada” (edição de autor), que alcançou a unanimidade da crítica.

Fonte Blitz

B Fachada no Music Box Lisboa

B Fachada
Entre um mistério e outro – dar forma a canções que parecem ser recebidas enquanto ciência social ou vice-versa – não há, na música popular portuguesa deste século, outra figura como B Fachada, nome artístico de Bernardo Fachada, escritor de canções. Nascido em 1984, estudou música no Instituto Gregoriano de Lisboa, aprendeu piano. Mais tarde frequentou a escola do Hot Clube de Portugal e cursou Estudos Portugueses. Desde 2007, notabilizou-se por um espantoso ritmo de edições. Conforme as contas, entre formatos físico e digital, lançou quatro EP (destacando-se “Viola Braguesa”), três mini álbuns (“Há Festa na Moradia”, “Deus, Pátria e Família” e “O Fim”) e seis registos de longa-duração (de “B Fachada é Pra Meninos” e “Criôlo” até ao novo homónimo de 2014) prontos a testar os limites daquilo que, no seu domínio, se entende como produção cultural. Entre 2009 e 2012, fez parte do conjunto Diabo na Cruz. Com Minta e João Correia lançou uma versão integral do álbum “Os Sobreviventes”, de Sérgio Godinho, com quem já atuou ao vivo. Dividiu igualmente palco com Dead Combo, JP Simões, Lula Pena, Manel Cruz, Márcia, Norberto Lobo, Nuno Prata, Samuel Úria ou Walter Benjamin. Fez primeiras partes para Kurt Vile, Vashti Bunyan e Laetitia Sadier. O realizador Tiago Pereira dedicou-lhe o documentário “Tradição Oral Contemporânea”. Apresentou-se nas mais emblemáticas salas de espetáculo do país. E além de se ler tudo o que sobre a sua carreira foi escrito ou de testemunhar o ato de comunhão em que se transformaram os seus concertos, basta seguir as sedes virtuais em que opera para se compreender tratar-se de um autor tão ouvido quanto vivido. Talvez por isso se diga frequentemente que a sua obra é indistinguível de quem a consome. Ou que biografia e alegoria são inseparáveis na sua escrita. Mas, se perto de meia dúzia de anos de atividade artística profissional sugerem alguma coisa é a de que, como poucos, Fachada está interessado em questionar convenções no seu próprio tom, no seu próprio tempo, nos seus próprios termos.
Fonte. musicboxlisboa

B Fachada "Criôlo"

Foi preciso esperar até 2009 para se identificar mais objectivamente a crioulização em B Fachada: primeiro no reggae ‘Kit de Prestidigitação’, com que fechava o seu álbum homónimo, e, determinantemente, no akizombado ‘Monogamia’, a sua contribuição para a compilação “Novos Talentos”, da Fnac. Depois, no Verão de 2010, surgia em “Há Festa na Moradia” um ‘Joana Transmontana’ a equilibrar toada ultramontana com uma batida relaxada extraída ao semba. Mas, mais do que numa justaposição elementar, todo esse EP reflectia uma certa noção de amálgama miscigenada no âmago do seu material, para não falar já, em termos mais gerais, no seu método.

“B Fachada é Pra Meninos”, o CD de 2010, embora num escopo muito específico, abria com um ‘Tó-Zé’ a evocar padrões rítmicos afrobrasileiros e confirmava a predisposição espiritualmente tropicalista na abordagem de tradições alóctones que, no Verão do mesmo ano, “Deus, Pátria e Família” confirmou em pleno, com a sua cadência caribenha temperada por sintetizadores sacados ao livro de estilo de bandas congolesas. A leitura parecerá apócrifa, certamente. E muitos mais casos na sua extensa discografia apontam em direcção contrária. Mas servirá para transmitir esta ideia de que – em pensamento – havia já na produção de B Fachada um ideário crioulo antes de um álbum chamado “Criôlo”.

Esse – do inventivo balanço de ‘Afro-Xula’ (que, em tese, pega numa síncope angolana para marcar uma toada da chula, a dança do Alto Douro que marcou a música nordestina brasileira, a que, por isso mesmo, se contrapõe um acordeão a evocar forró) ao dub de ‘Quem Quer Fumar com o B Fachada’ (que saúda um Lee Perry que, basta ouvir ‘I Am the Upsetter’, não era estranho ao malhão) – torna agora explícito um certo interesse por aquilo que, para descrever influências latino-americanas no flamenco, por exemplo, os espanhóis chamam de canções de “ida y vuelta”. Mas, numa triangulação entre Portugal, Brasil e África Lusófona, não interessando a ordem de partida, “Criôlo” não deixa de ser também um disco sobre essas relações e a ausência dessas relações ao longo dos anos. Utilizando quase exclusivamente sons fora de moda, ou pelo menos dessintonizados com o presente, o disco especula sobre uma crónica dificuldade na generalidade da música popular portuguesa em assimilar organicamente e generosamente, que não em regime de anedotário ou mimese, a música do atlântico sul (mesmo se de semelhante processo floresceu toda a mais significativa produção do século passado: tango, fado, samba, blues, rumba, jazz, r&b, afrobeat, etc).

Simulando arranjos que em tempos serviram a mais genérica música de massas, Fachada sugere ainda a possibilidade da música popular não ter de depender exclusivamente da sobrevalorizada expressão de autor (num país onde por vezes parecem só haver casos e não movimentos). Mas, embora paradoxal, é também sintomático que o sublinhar dessas diferenças entre o popular e o tradicional, o individual e o colectivo, o rural e o urbano, etc, reafirme a sua própria assinatura individual. A um CD de terminar o plano de edições em vigor desde 2009, com referências ao 25 de Abril ou às possibilidades sinecuristas no exercício do poder misturadas com vinhetas do quotidiano, não sabemos se faz pensar, mas dançar, sim, com certeza.
(fonte: MBARI blog)

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